domingo, 22 maio 2022
Fale Conosco | (24)3343-5229

Nacional

Associação de juristas pede investigação dos ganhos de Moro com consultoria

Pedido foi encaminhado ao MPF

26/01/2022 12:18:43

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF) para que o órgão investigue os ganhos do ex-juiz e pré-candidato à presidência Sergio Moro com a consultoria norte-americana Alvarez & Marsal (A&M). A instituição pede a abertura de um inquérito para apurar as relações, as condições e os valores envolvidos no contrato celebrado entre as partes. A Alvarez & Marsal é a empresa que cuida da recuperação judicial da empreiteira Odebrecht e de outras que foram alvo da operação Lava-Jato.

O caso é alvo de um processo no Tribunal de Contas da União (TCU). A investigação foi aberta para apurar se houve conflito de interesses na atuação de Moro. Documentos do processo mostram que o escritório A&M no Brasil recebeu R$ 65 milhões de empresas investigadas na operação. O valor é equivalente a 77,6% dos seus recebimentos no país. Moto, que também foi ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, vem se recusando a revelar o valor que recebeu da empresa norte-americana sob a alegação de que se trata de uma relação privada.

Em sua representação, a ABJD destaca que Moro julgou e condenou executivos das empresas clientes da Alvarez & Marsal no processo de recuperação judicial e teve acesso a informações privilegiadas com potencial de impacto em favor de seu trabalho na empresa. "Moro, na condição de juiz, autorizou os acordos de leniência e delações premiadas que beneficiaram as empresas, sócios e executivos. Ao lado das empresas, teve a oportunidade, a pretexto de sua contratação como especialista na área jurídica, de ofertar caminhos de solução a partir de conhecimento privilegiado. Sua atuação foi, desde o início, absolutamente comprometida, mesmo que não tenha assinado pareceres ou peças nos casos concretos", diz o documento.

Os juristas ainda ressaltam que não se sabe que tipo de serviço o ex-ministro da Justiça prestou durante os 13 meses de contrato nem o salário que recebeu. "É no mínimo para se desconfiar e, evidentemente, para se investigar, que nunca houve motivação adequada à ordem jurídica constitucional e legal a justificar que Sergio Moro pudesse assumir um cargo para atuar na recuperação judicial de empresas cuja situação foi causada pela sua atuação como magistrado", afirmam.

A Alvarez & Marsal, em petição apresentada ao TCU, afirmou que não existe conflito de interesse na contratação de Sergio Moro e que não houve irregularidades em sua atuação. (Foto: Agência Brasil)

Comentários via Facebook

(O Foco Regional não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

+ Lidas

Em foco

Notícias primeiro na sua mão

Primeiro cadastre seu celular ou email para receber as ultimas notícias.

Curta nossa fan page, receba todas as atualizações - Foco Regional

Tempo Real

17:15 Estado