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Nacional

PF vai investigar casal Moro por transferência de domicílio eleitoral

Lei exige comprovação de que novo endereço está sendo usado há pelo menos 3 meses

17/05/2022 12:52:49

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Polícia Federal que investigue se o ex-juiz Sergio Moro e a mulher dele, a advogada Rosângela Moro, cometeram fraude ao transferirem o domicílio eleitoral de Curitiba para a capital paulista. O promotor Reynaldo Mapelli Júnior disse que as primeiras explicações enviadas pelo casal "não convencem" e que é preciso aprofundar a investigação.

Por lei, a mudança de domicílio eleitoral exige comprovação de que o novo endereço esteja sendo usado há pelo menos três meses. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também já decidiu que a alteração exige "vínculos políticos, econômicos, sociais ou familiares".

Ao justificar a transferência, a defesa do ex-juiz disse que São Paulo virou seu "hub" para voos. Moro também afirmou que, desde dezembro, um hotel na capital paulista passou a ser "sua residência primária e base política". Ao mudar o cadastro na Justiça Eleitoral, porém, usou um contrato de locação assinado dois dias antes da alteração.

Para justificar o vínculo com a capital paulista, Moro informou ao MP que recebeu honrarias no estado e que trabalhou para a consultoria americana Alvarez & Marsal. Já Rosângela afirmou que, desde 2016, presta serviços para uma associação de pessoas com doenças raras sediada em São Paulo.

"(É uma) situação que, por si só, exige uma investigação criminal para verificar se a inscrição foi fraudulenta ou não”, ressaltou o promotor.

O pedido para investigar o casal foi feito no mês passado pela empresária Roberta Luchsinger, filiada ao PSB. Recém-filiados ao União Brasil, Moro e Rosângela são paranaenses. Os dois transferiram os domicílios eleitorais com a intenção de lançarem candidaturas ao Legislativo.

O advogado Gustavo Guedes, que representa o ex-juiz, afirmou que "Sergio e Rosangela Moro cumpriram rigorosamente todas as exigências da legislação eleitoral ao solicitarem a mudança de domicílio eleitoral". "Moro e sua esposa estão à disposição da Polícia Federal para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiantes de que a lei vale para todos e deverá prevalecer", acrescentou.

Sérgio Moro se tornou nacionalmente conhecido como juiz da Operação Lava-Jato, que condenou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva por supostos crimes de corrupção. Todavia, acabou sendo declarado imparcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-juiz aceitou, antes de deixar a magistratura, ser ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro. Ele acabou sendo demitido pelo presidente, depois de acusar Jair de tentar interferir na Polícia Federal.

Em seguida, Moro passou a atuar na empresa de consultoria americana que cuida da recuperação de empreiteiras que foram alvo da Lava-Jato. O ex-juiz e ex-ministro se filiou ao Podemos com o intuito de se candidatar a presidente da República, mas deixou o partido pouco depois, migrando para o União Brasil, junto com a mulher, onde também não conseguiu emplacar sua candidatura. (Foto: Reprodução)

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